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Pérolas: a arte bíblica de saber a quem ensinar

Foto do escritor: pro.semear
pro.semear
14 de jul.
3 min de leitura

Pérolas: a arte bíblica de saber a quem ensinar


Muitas vezes o versículo "não julgueis" é usado de forma isolada para silenciar o discernimento cristão. No entanto, ao analisarmos o capítulo 7 de Mateus, percebemos que Cristo condena o julgamento hipócrita — aquele em que o indivíduo foca no cisco no olho do irmão enquanto ignora a trave no seu próprio. E após esse alerta, Jesus nos convoca a um julgamento justo: que é a capacidade de avaliar a receptividade daqueles que ouvem a Palavra.


Jesus diz em Mateus 7.6: "Não deis o que é santo aos cães, nem lanceis vossas pérolas diante dos porcos, para não acontecer de as pisarem com os pés e, virando-se, vos despedacem."


"Cães" e "Porcos"?


Para o judeu da época, esses animais eram o símbolo da impureza. Os cães não eram domésticos, mas selvagens e comedores de carniça; os porcos, por sua vez, eram considerados imundos pela Lei de Moisés.


Metaforicamente, Jesus utiliza essas figuras para descrever pessoas que demonstram total desprezo e hostilidade às verdades do Reino. Assim como esses animais não reconheceriam o valor de uma jóia, o escarnecedor não percebe a preciosidade do Evangelho.

 

O valor das pérolas e do que é Santo


As "pérolas" representam as verdades profundas do Evangelho. Jesus ensina que insistir na pregação diante de quem responde com blasfêmia e zombaria pode resultar na profanação da mensagem e em agressões desnecessárias ao pregador.


O mandamento de "nem lanceis vossas pérolas diante dos porcos" é, portanto, um exercício espiritual de proteção da santidade da Palavra.


Um exemplo prático desse discernimento ocorre em Atos 13:44-52. Onde Paulo e Barnabé, ao pregarem em Antioquia da Pisídia, enfrentaram líderes que, movidos pela inveja, passaram a blasfemar contra a mensagem. Em vez de insistirem indefinidamente, os apóstolos foram categóricos: "Visto que a rejeitais... nos voltamos para os gentios". Eles cumpriram a instrução de Jesus de "sacudir o pó dos pés", partindo para onde o solo estava fértil.

 

Concluindo


Embora o Evangelho deva ser anunciado a toda criatura, o esforço contínuo e o ensino profundo exigem um solo receptivo. Não podemos pregar o tempo todo para quem reage com agressão ou escárnio deliberado.


Como afirmou o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 5:12, o julgamento é necessário dentro da comunidade de fé. Precisamos de sabedoria para identificar quando é hora de retirar-se e buscar aqueles que realmente estão "famintos e sedentos" de justiça.


É necessário, contudo, aplicar esse julgamento com justa medida e temperança. Devemos distinguir a dúvida ou a resistência inicial da rejeição, pois muitas vezes precede um coração prestes a se quebrantar. Mas quando a oposição ao Evangelho é clara, organizada e persistente, o cristão, por amor a Deus e em respeito à santidade da Sua Palavra, deve exercer a prudência de se retirar.


Nesses casos, a insistência deixa de ser evangelismo e torna-se exposição ao escárnio, sendo necessário deixar o indivíduo entregue à sua própria escolha, enquanto se busca solos mais férteis para a semente do Reino.


1. "Não repreendas ao zombador, para que ele não te odeie; repreende ao sábio, e ele te amará." Provérbios 9:8 (Excelente para mostrar que a própria Bíblia orienta a poupar fôlego com quem zomba).


2. "E quem quer que não vos receber, nem ouvir vossas palavras, quando sairdes daquela casa ou cidade, sacudi o pó de vossos pés." Mateus 10:14


3. "Ao homem rebelde, depois da primeira e [da] segunda repreensão, rejeita [-o]." Tito 3:10

 

"O amor ao próximo nos move a pregar; o amor à santidade de Deus nos ensina a parar quando a Palavra é pisoteada."


Deus te abençoe!


"As citações bíblicas deste post foram extraídas da Bíblia Livre (BL), disponível AQUI."

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